segunda-feira, 27 de setembro de 2021

A Árvore de Manoel de Barros por Beth Lilás

 


Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.
Seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casca vazia de cigarra esquecida
no tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara,
envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros
E tinha ciúmes da brancura que os lírios deixavam nos brejos.
Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore
porque fez amizade com muitas borboletas.




segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O menino que carregava água na peneira - de Manoel de Barros - por Beth Lilás

 


Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o voo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher
os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus despropósitos.
Manoel de Barros
 (1916-2014)









sexta-feira, 30 de julho de 2021

Poema de Ferreira Gullar - por Beth Lilás

 


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Sobre o poema acima, o poeta Ferreira Gullar explica como este poema  nasceu, e é bastante interessante, vale a pena ver:



https://www.youtube.com/watch?v=qdlvu6z8WaI 






segunda-feira, 12 de julho de 2021

Se eu pudesse viver ... - Rubem Alves


Sempre fui grande admiradora de Rubem Alves, intelectual respeitado, cronista, pedagogo, poeta, filósofo, contador de histórias, ensaísta, teólogo, acadêmico, autor de livros infantis e até psicanalista, de acordo com sua página oficial na internet.

Durante o tempo em que esteve doente, escreveu e publicou livros, e este pequeno texto acima é um fragmento de um desses pequenos livros - "Se eu pudesse viver minha vida novamente..."

Seu lema era viver o momento, aproveitar o agora. Sobre a morte, chegou a escrever: "Já tive medo de morrer. Não tenho mais. Tenho tristeza. A vida é muito boa. Mas a morte é minha companheira. Sempre conversamos e aprendo com ela. Quem não se torna sábio ouvindo o que a morte tem a dizer está condenado a ser tolo a vida inteira.".

Rubem Alves é o "queridinho da blogosfera", por isso a frase de Guimarães Rosa, cabe-lhe perfeitamente: “as pessoas não morrem, ficam encantadas”.


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segunda-feira, 28 de junho de 2021

Anarquismo - Fernando Pessoa - por Beth Lilás

(Aumente o som)

 ANARQUISMO

A Noite e o Caos são parte de mim. Dato do silêncio das estrelas. Sou o efeito de uma causa do tempo do Universo [e que o excede, talvez]. Para me encontrar tenho de me procurar nas flores, e nas aves, nos campos e nas cidades, nos actos, nas palavras e pensamentos dos homens, na luz do sol e nos escombros esquecidos de mundos que já pereceram.

Quanto mais cresço, menos sou eu. Quanto mais me encontro, mais me perco. Quanto mais me sinto mais vejo que sou flor e ave e estrela e Universo. Quanto mais me defino, menos limites tenho. Transbordo Tudo. No fundo sou o mesmo que Deus.

Na minha presença hodierna têm parte as idades anteriores à Vida, os tempos mais antigos do que a Terra, os ocos do espaço antes que o mundo fosse.

Na noite onde nasceram as estrelas comecei a constelar-me de ser.

Não há um único átomo da mais longínqua estrela que não colaborasse no meu ser.

Porque Afonso Henriques existiu, eu sou. Porque Nun'Álvares combateu, existo. Seria outro - não serei, portanto - se Vasco da Gama não tivesse achado o Caminho da Índia nem Pombal tivesse governado (...) anos.

Shakespeare é parte de mim. Para mim trabalhou Cromwell quando arquitectou a Inglaterra. Ao ganhar com Roma, Henrique Oitavo fez-me ser hoje o que eu sou.

Para mim pensou Aristóteles e cantou Homero. Neste sentido místico e profundo deveras [...], Cristo morreu por mim. Um místico índio que eu não sei se existiu, há 2000 anos colaborou no meu ser actual. Pregou moral Confúcio à minha presença de hoje. O primeiro homem que achou o fogo, o que inventou a roda, o primeiro que ideou a seta - se hoje eu sou eu é porque eles existiram.



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segunda-feira, 21 de junho de 2021

Cora Coralina, quem é você? - por Beth Lilás

 

Os versos abaixo fazem parte do extenso e fundamental poema Cora Coralina, Quem É Você?   A rica poesia de uma mulher simples.



Cora Coralina, Quem é você?

Sou mulher como outra qualquer.
Venho do século passado
e trago comigo todas as idades.

Nasci numa rebaixa de serra
Entre serras e morros.
“Longe de todos os lugares”.
Numa cidade de onde levaram
o ouro e deixaram as pedras.

Junto a estas decorreram
a minha infância e adolescência.

Aos meus anseios respondiam
as escarpas agrestes.
E eu fechada dentro
da imensa serrania
que se azulava na distância
longínqua.

Numa ânsia de vida eu abria
O vôo nas asas impossíveis
do sonho.

Venho do século passado.
Pertenço a uma geração
ponte, entre a libertação
dos escravos e o trabalhador livre.
Entre a monarquia caída e a república
que se instalava.

Todo o ranço do passado era presente.
A brutalidade, a incompreensão, a ignorância, o carrancismo.
Os castigos corporais.
Nas casas. Nas escolas.
Nos quartéis e nas roças.
A criança não tinha vez,
Os adultos eram sádicos
aplicavam castigos humilhantes.

Sou mais doceira e cozinheira
Do que escritora, sendo a culinária
a mais nobre de todas as Artes:
objetiva, concreta, jamais abstrata
a que está ligada à vida e
à saúde humana.

Luta, a palavra vibrante
que levanta os fracos
e determina os fortes.

Quem sentirá a Vida
destas páginas…
Gerações que hão de vir
de gerações que vão nascer.


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quarta-feira, 9 de junho de 2021

África - poemas de Mia Couto

 O continente chamado "Mãe África" é o berço da humanidade por ter nascido ali os primeiros

seres humanos.

Assim como chamamos o Planeta Terra de Mãe Gaia, chama-se Mama África como mamãe. 

O belo site abaixo, vale a pena ser visitado para entendermos esta relação tão importante deste continente:

https://artsandculture.google.com/exhibit/%C3%A1frica-m%C3%A3e-de-todos-n%C3%B3s/IgICgD_GxFzxIw?hl=pt-BR

E Mia Couto, o grande escritor e poeta moçambicano, descreve em seus livros a poesia e beleza deste grande continente.



terça-feira, 1 de junho de 2021

Rosa - de Otávio de Souza e Pixinguinha - por Beth Lilás

 “A valsa “Rosa” tem uma história interessante.

Pixinguinha fizera-lhe a melodia havia muito tempo, mas todos achavam que era preciso uma letra.

Nunca, porém, ninguém se interessou.

Havia, em Engenho de Dentro, um mecânico de automóveis chamado Otávio de Souza, um poeta bissexto.

Ele então fez a letra, uma improvável obra-prima para os amigos.

Um dia, nas quebradas, ele encontrou o velho Pixinga, e dele se aproximou, tangido pela inibição própria de um mecânico de subúrbio.

Pixinguinha era a fina flor da educação, sempre pra lá de elegante, e dignou-se a recebê-lo.

Ele então recitou a letra de “Rosa”, o mais belo poema parnasiano da MPB, e Pizindin (era assim que a vovó o chamava) encantou-se com versos tão belos.

Ali estava Otávio de Souza, seu mais novo parceiro e a música, depois de gravada, ganhou as ondas do rádio na interpretação magistral de Orlando Silva, o maior cantor que este país já teve.

Música difícil de interpretar, até por causa do fraseado poético, parnasianismo puro.

Recebeu, contudo, muitas gravações.

De todo modo, os louros e loas que se fazem a “Rosa” vão quase sempre para Pixinguinha, que, é claro, os merece.

Poucos, ou quase ninguém, lembra-se do mecânico de Engenho de Dentro, autor de uma música que, conquanto presa aos limites da sua unidade, equivale a todo um cancioneiro musical.

Uma obra-prima maravilhosa.

Um dia ainda há de se fazer justiça a Otávio de Souza.”

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Tu és divina e graciosa

Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
O teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito teu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral. Oh, alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas o amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão se ouso confessar que
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus, quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar e esperar
Em conduzir-te um dia
Aos pés do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de te envolver até meu padecer
De todo fenecer

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quinta-feira, 20 de maio de 2021

Do Poeta tudo se espera - de ALICE RUIZ por Beth Lilás

Alice Ruiz Scherone é uma poeta curitibana, haicaista, letrista e tradutora brasileira. Possui mais de 20 livros publicados, com poemas traduzidos e publicados em vários países.
Tem 75 anos e foi casada com Paulo Leminski.



do poeta tudo se espera
faça um poema aí, eles dizem,
que contenha a primavera,
estação que ainda vem

um poeta se comanda
basta acionar, eles pensam
que o poema anda

envie-me um soneto até a noite
quero um haikai de manhã
tenha uma ideia brilhante
para enfeitar este instante

ao poeta se encomenda
rimas ricas, por favor,
não esqueça das aliterações
de ser raro, claro e breve
nos dê hoje, tudo que nos deve

crie desejos
invente necessidades
encante a todos
com sua capacidade
pagamos pouco, é verdade,
mas você pode receber mais tarde

afinal, o poeta
vive de vento, flores, sonhos,
basta, pensam eles,
alimentar sua vaidade

me empresta tua emoção aí, artista,
é o que todos esperam
mas não tem ninguém à vista
querendo ouvir a poesia
que faz o coração do poeta
quando silencia. 
                                                  __  Alice Ruiz


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sábado, 8 de maio de 2021

Feliz Dia das Mães - por Sidnei Coelho

 


Quando nasce um filho, nasce também uma mãe.
E é nesse instante mágico que o amor se transforma.
Sim, um amor que já existia; passa a ser infinito.
E esse é o sentimento que protege, cura, cuida e doa a vida por alguém.
Sim, ser mãe é doar-se e dedicar-se dia e noite.
E mesmo nos momentos de cansaço intenso, ainda encontrar forças para sorrir.
Ser mãe é ser o tudo, e mais do que tudo.
E não adianta tentar entender, pois somente as mães entendem o que é o amor.
Não! Não estou sendo exagerado, afinal de contas, todos podemos amar.
Mas você há de concordar que o amor de mãe é único.

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Desejo que hoje e sempre todas nós, mães, tenhamos alegrias no coração

e Deus orientando nossas vidas.

Feliz Dia das Mães!




quarta-feira, 21 de abril de 2021

Podcast - Sidnei Coelho

Hoje o Me and You mostra uma nova forma de expressão pelas redes, uma ferramenta para divulgação de temas variados e por que não, Poesias!

O amigo poeta e escritor Sidnei Coelho, abaixo em seu Podcast, faz um breve panorama do que a poesia, filosofia, textos, frases inspiradoras e incentivadoras, podem ajudar em nosso dia a dia. 


E a minha parte é juntar imagens com estas lindas formas de expressões poéticas, emoldurá-las e espalhar para que todos possam ter acesso a momentos de beleza e reflexão e que intitulo Momentos Lilases.












domingo, 4 de abril de 2021

Texto de Lya Luft em Perdas & Ganhos - narração Beth Lilás

 


“Mas o que pode haver de positivo em ficar velho?” perguntaram-me um dia. “Diga uma coisa só, e vou acreditar.” As qualidades interiores vão sobressaindo, afirmando-se sobre as físicas. Ao contrário da pele, cabelos, brilho de olhar e firmeza de carnes, elas tendem a se aprimorar: inteligência, bondade, dignidade, escutar o outro. Capacidade de compreender. Mas é preciso que exista algo interior para sobressair: o desgaste físico será compensado pelo brilho de dentro. Não será preciso nem mutilar-se com cirurgias além do razoável, maquilagem exagerada, roupas extravagantes.., nem ocultar-se porque estamos maduros, ou já estamos velhos. Se a transformação que se efetua em nosso corpo é inexorável, sua velocidade e características dependem de genética, cuidados, saúde, vitalidade interior também. Com o inexorável só há uma saída, e não será fugir: é vivenciá-lo do melhor modo que posso. A questão não é que a vida fique suspensa, mas que a gente viaje com ela, em lugar de paralisar-se e ficar atrás.
Se não formos demasiado tolos, gostaremos de nossa aparência em todos os estágios. Olhar-se no espelho e dizer: “Bom, essa sou eu”. Nem extraordinariamente conservada nem excessivamente destruída. Estou como se está nesta fase. E se eu sou assim, gosto de mim. Sou a minha história. Pois não somos só nossa aparência; mas somos também nossa aparência. Negá-la é negar o que, afinal, nos tornamos. Por isso, se é melancólico negligenciar a aparência, é patético querermos parecer ter 20 anos aos 40, ou 40 aos 70. Deveríamos querer ser belas, dignas, elegantes e vitais pessoas – de 60 ou 80 anos. Felizes, ainda, aos oitenta anos.


P.S.:  Pessoal, obrigada pelos comentários que me deixaram, mas infelizmente, sem querer, deletei esse post fazendo limpeza no Blog.  Vou tentar copiar nos comentários tudo o que me deixaram. 






quinta-feira, 18 de março de 2021

Mulher demais ... - poesia de Nilton Lobo - Narração de Lu Hadad

 

O que a faz

Ser assim demais,

Além da linha do horizonte,

Por cima das nuvens e montes...?

O que a traz

Na persistência destas batalhas?

Essa paz

Essa força de luz

Que traduz sentimentos,

Rasga as mortalhas...

Tantas mulheres em uma só,

Tantas vozes que não se calam,

E espalha ao seu redor,

Esse amor em movimento,

Levado no vento,

Para aplacar dor...

Uma centelha,

A doce, frágil

Inquebrável guerreira,

Uma mulher inteira

Sem tempo para desistir...

Nilton P. Lôbo





terça-feira, 9 de março de 2021

(Starry Starry Night) um tributo a Vincent Van Gogh


Pouca gente sabe, mas a música Vincent (Starry, Starry Night), escrita por Don McLean nos anos 70, é um tributo à Vincent Van Gogh.

O título da canção refere-se ao quadro “Starry Night” (Noite Estrelada), uma das mais famosas pinturas do artista holandês, e  descreve diferentes quadros do pintor. Confira abaixo, linda música e as pinturas de Van Gogh.





                                 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A Andorinha da Primavera - de Madredeus - com Beth Lilás e Madredeus

Andorinha de asa negra aonde vais?
Que andas a voar tão alta
Leva-me ao céu contigo, vá
Qu'eu lá de cima digo adeus
ao meu amor
Ó Andorinha
Da Primavera
Ai quem me dera também voar
Que bom que era
Ó Andorinha
Na Primavera
Também voar



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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Quem me leva os meus fantasmas-letra de Pedro Abrunhosa, poeta portugês-por Beth Lilás e Maria Bethânia

De que serve ter o mapa se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista se o barco está parado,
De que serve ter a chave se a porta está aberta,
Pra que servem as palavras se a casa está deserta?

Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos

Marinheiros perdidos em portos distantes
Em bares escondidos em sonhos gigantes
E a cidade vazia da cor do asfalto
E alguém me pedia que cantasse mais alto

Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?

Aquele era o tempo em que as sombras se abriam
Em que homens negavam o que outros erguiam

E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava de menos.
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala nem a falha no muro

E alguém me gritava com voz de profeta
Que o caminho se faz entre o alvo e a seta.

Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
E me diz onde é a estrada





sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Aquela Casa - poesia de Marilene Duarte - narrada por Beth Lilás

 

Aquela casa tem portas e janelas abertas.

Se chove, é abrigo.

Se frio faz, é aconchego.

Se arde o sol, é refresco.

Aquela casa não impõe regras,

apenas respeito.

Para quem tem fome, é alimento,

se sede, água límpida e pura,

se lágrimas, ombro e conforto.

Aquela casa nada tem de fugaz.

Oferece abraços de paz,

jardins de eterna primavera,

sonho, liberdade, alegria.

Aquela casa,

com magia e mistérios, 

dança na ponta de dedos

que brincam com as palavras.


É a alma da poesia.

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Marilene está no Blog https://respirodapalavra.blogspot.com/