sábado, 27 de agosto de 2011

Naquela manhã na estação


Este poeta se auto define como um "amante da leitura que se arrisca em escrever coisas da vida. Mineiro como o trem. Sonhador teimoso em não deixar de sonhar"  e eu o defino como um poeta que traduz em palavras todo o sentimento de afeto pelo mundo, as coisas e os seres que o cercam. 

Conheçam o Blog do amigo Toninhobira que tem por conterrâneo e inspirador o inesquecível Carlos Drumond de Andrade.



Já vem o Sol, sobre o manto cinza da cidade,
Sinto o delicioso conforto, que vem da Criação.  
Meus olhos atentos à manobra com suavidade,
Da cadencia perfeita da natureza em mutação.  

Benditos sejam os raios de energia renovadora,
Que me envolvem sempre com belas lembranças.
Assim como o brilho dos olhos da mãe protetora
Na vigília segura dos rumos de minhas andanças.

Quão maravilhosa é esta luz, que acende o dia,
Em êxtase na manhã vivo a espera anunciada,
Como daquele beduíno sedento pela água fria,
Linda miragem que alivia a saudade da amada.

Maravilha este olhar sobre a manhã irradiante,
Aonde cada minuto vem revelar minha emoção.
Então, conto passos num vai e vem impaciente
Como as longas horas lentas do relógio da estação.





Imagem-Corbis

Música-Here comes the sun-Beatles







sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Entra e Sai ...


Apresento-lhes hoje Ju Rigoni do Blog Fundo de Mim. Sua poesia encanta pela modernidade e suavidade.
Consegue com maestria penetrar na alma das pessoas e transmitir tudo aquilo que o coração vê e sente.
Acompanhe abaixo a narração e leia junto comigo.

 


A certeza saiu; foi embora!...
Bateu a porta na minha cara.
Trancou por fora inteiras metades...

E agora?...

Levou-me tudo a bandida.
Inclusive o que me parecia nada
diante de tanta convicção...
Deixou a casa revirada,
atrasou todos os relógios;
até o cuco que encantava as horas
outrora apenas desencontradas,
e agora perdidas na saída desavisada...

Revolveu-me a paciência,
bebeu e comeu minhas reticências
para vomitá-las, devolvê-las em dobro, -
em malditas interrogações...

Tem que voltar, essa desnaturada...
Precisa abrir essa porta.
Meus eus precisam entrar!
Preciso juntar o que sobrou
de mins, colar os cacos da alma,
viver, respirar, ser... em calma.

...

Era uma vez uma certeza,
a entrar e sair sem aviso
pela porta da minha história...






Música-Amy Winehouse - Love is a losing game (instrumental)

Imagem-Pinterest



domingo, 14 de agosto de 2011

Lá Fora


Apresento-lhes uma escritora com alma de poeta.  Sua escrita é  refinada e delicada, uma menina no sótão que espia a dança da vida e tece poesias. Lu Guedes - do blog Uma Menina no Sótão
Clique, aumente o som e ouça:

Drummond disse:
“O outono é uma estação mais da alma que do coração!”
Eu costumo dizer:
O outono é minha licença poética”.

O dia de hoje me mandou lá pra fora. Há dias que meus pés pedem calçadas, ruas, caminhos de pedras e folhas… Gosto do som dos passos por sobre folhas secas; do sabor dos ventos junto as folhas que são lançadas ao ar num vôo sereno e breve… O sol brilha no alto céu, por entre as nuvens, iluminando o verde das montanhas…
O que me leva a entender que não importa o que diz o calendário, para os meus olhos, corpo e alma é Outono por aqui e de certo é outono em algum outro lugar também…
Houve uma época em minha vida que eu simplesmente decidi ignorar os anos, os dias, as estações, as fases da lua… Afinal, porque tenho que limitar minha existência aos ritmos impostos por esses tolos humanos que vivem se impondo regras, rótulos e formas estúpidas de rotina…
Desde então sou mais feliz (muito mais) porque com isso, descobri minhas próprias estações, fases, dias, horas. Sei do sol e sua marcha pelo céu; sei da lua e sua luz que desaparece nas noites mais escuras e mesmo assim continua lá, envolta por suas próprias sombras, feito eu que as vezes me ausento, fujo e me escondo dentro dessas paredes que nem sempre tem janelas e portas… Sei também das folhas secas, verdes, das flores amarelas, vermelhas e principalmente das azuis. Adoro chá de flores azuis. Já experimentou? Sei também dos dias alaranjados e dos dias cinzas que tanto amo, as vezes esses dias (cinzas) se ocupa de dias inteiros, numa sequencia poética que permite a existência das poças pelo caminho…
Eu sou isso que vês: uma menina no sótão que gosta de espiar a dança que acontece do lado de fora da pele…


Música-Song for Anna-Relaxation Music
Imagem-Google



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Frida Kahlo - Auto-Retrato

-Google-

Mila Viegas é uma escritora e poetisa jovem e muito talentosa, situa-se entre textos ou poesias pungentes, fortes, assim como pode saltar para uma de sonhos que te levarão até Avalon.  Conheçam mais da Mila descrita impecavelmente nesta poesia que se segue:

Cada vez que te vejo, Frida
Me calo
Sua face é enigma
Mistério de um olhar de gato
Crucifixo
um beija-flor
Preto e branco
Como nunca vi igual
Aqui no meu quintal
Tu me lembras Clarice
entre borboletas e libélulas
Clarice lenda
Flor-de-Lis
Espectro
Desconexo
O quadrúnamo que te observa
é teu lado primitivo
Instintivo
Original
mulher-primata
insensata
abissal
Seus instrumentos
a tela, o pincel
Os meus?
a caneta, o papel
Frida fala em cores
sofrimentos e amores
Seu Eu
Tudo o que via em si
e não se perdeu
Calo-me diante dela
ao ver a tela
Calo-me da sensatez
exponho minha embriaguez
A tagarelice usa os dedos
abusa no que escrevo
Frida se mostra
com um quê
de Gauguin
E eu me enrosco
nas entrelinhas…
… da bela
que habita nela
da fera
que vive em mim.



sábado, 6 de agosto de 2011

Bissolcleta

Bastou que eu procurasse apenas de uma só olhada em seu blog e visse muitas poesias lindas e criativas, mas como esta, completamente diferente, de humor refinado e que faz deste poema um gol de placa.  

Conheçam o especial Tuca Zamagna do Blog Desinformação Seletiva.

Aumentem o som e leiam comigo:


A onze. poetas rubro-negros
Raul defende com o pé, de verso,
e serve a Domingos da Guia
que passa, de letra, para
Carlos Alberto Torres, que toca
bola bem redondilha
para Leandro inverter o jogo,
em passe alexandrino para Júnior,
que dispara em velocidade
e rima com Andrade,
que faz uma trova chistosa,
com caneta, num rival
e passa para Geraldo assoviar
um soneto, antes de lançar
para Zico, que aplica
um haicai que derruba
dois adversários e encontra,
em verso livre, Dida, que centra,
alto como uma elegia, na área.
Leônidas da Silva tenta uma
bicicleta, metrificada nas nuvens,
e não alcança a bola, mas
Marcantonio não perde o mote:
chuta o sol para o fundo da rede.






Música-Tema Canal 100-Que bonito É

Imagem-Google







terça-feira, 2 de agosto de 2011

Redoma



E hoje abram alas para a poesia de Glorinha Leão - que com sua fala moderna consegue traçar uma relação de razão e coração.
No cotidiano de leituras tece seu destino de escritora, realizando, enfim, o sonho tão acalentado. Glorinha é mágica com as palavras, portanto não deixe de visitar seu Blog Café com Glorinha.
Clique e leia comigo abaixo:

 
Às vezes é preciso coragem pra sair
Outras vezes
é preciso mais coragem
 pra ficar
A redoma me protege
ou eu protejo a mim mesma?
A luz aqui de dentro
não me permite olhar estrelas
e, no entanto
elas me vêem
formiga iluminada
sentada ensimesmada
tentando alcançar o que
não vê.

Re doma
Me doma
me segura
me detém
Ou serei eu mesma
a senhora
dona do meu destino
a que não quer
ser dona de nada
e apenas
ser uma formiga
ensimesmada
a sonhar
enquanto vigia
o céu?
Vigília
Estrelas tomam conta de mim
E eu, cega
brinco de me esconder
de mim mesma
Re doma
Me doma
Mil vezes domada
e ainda assim
selvagem
louca
tentando ser eu mesma
mais uma
no firmamento
a brilhar.................


Se quiser ganhar o livro da Glorinha, entre neste concurso aqui. 



Imagem Google